Como um país se tornou uma vocação
por Thibaud Perdrix
Há um país onde uma hora de voo é suficiente para te transportar ao que parece ser outro continente.
A Amazônia ao amanhecer — a copa das árvores até o horizonte, o rio largo e lento lá embaixo. Uma hora ao norte: os Andes, frios e verticais, o ar raro o suficiente para se fazer sentir. Mais uma hora e você está na costa do Caribe, com uma luz completamente diferente, a água de um azul que não tem equivalente em lugar nenhum. Mais além, o Pacífico — selvagem, encharcado, um dos lugares mais biodiversos do planeta.
Um único país. Quatro mundos. Uma hora entre cada um.
Foi isso que a Colômbia me fez. Nunca me recuperei de verdade.

Cheguei à Colômbia em 2009 como guia — jovem, curioso, convencido de que ficaria apenas uma temporada. Fiquei anos. Fui me aprofundando nas montanhas do café, ao longo do litoral, pela Amazônia, nas relações que se constroem devagar e que nenhum roteiro consegue fabricar. O país continuava se abrindo. Cada vez que achava que entendia o que era a Colômbia, ela me mostrava outra versão de si mesma.
Em algum momento, parei de pensar nela como um destino.
Com o tempo, fui embora. Para a França, onde passei anos trabalhando com uma das grandes casas de viagem de luxo da Europa, aprendendo esse mundo por dentro. E quanto mais longe eu ficava da Colômbia, com mais clareza eu via o que havia deixado para trás.
Em 2023, María Julia e eu voltamos. Fundamos a TEMPO.
As pessoas que formam nossa equipe são colombianos que passaram a vida aqui, e pessoas de outros lugares que chegaram, se apaixonaram, e nunca foram embora de vez — assim como eu. Juntos, vivemos esse país por dentro: suas estradas, suas estações, seus ritmos, sua gente. É esse conhecimento que levamos para cada viagem que construímos.

Esse conhecimento não molda apenas os roteiros que criamos — ele molda a forma como acompanhamos aqueles que nos confiam a sua viagem. Conhecemos os caminhos menos percorridos, os códigos não ditos, o ritmo de um lugar em determinada hora do dia. Sabemos a quem ligar, e como as coisas funcionam de verdade aqui quando não saem como planejado. Essa familiaridade, com o país e com a sua gente, é o que torna o cuidado genuíno possível.

É também, acreditamos, o que o luxo realmente significa em uma viagem. Temos um nome para isso: Prendre Soin. Um dos pilares sobre os quais a TEMPO foi construída. Resiste à tradução — mas tem essa forma:
Uma cliente chega a Bogotá tendo esquecido seu medicamento em outro continente — o motorista já está segurando. Um brinquedo esquecido em Minca à meia-noite, de volta antes do café da manhã. Um cartão perdido em algum ponto entre duas cidades, resolvido antes de terminar a frase.
Alguém com você, a cada passo do caminho, a dez mil quilômetros de casa.
A Colômbia me transformou na primeira vez que a encontrei. Já vi ela fazer o mesmo com outros, desde então.
Deixe-nos fazer o mesmo por você.





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